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No Nordeste mais do 50% da população não tem conta bancaria


O Nordeste é a região com menor número de pessoas com contas bancárias do país. O dado foi revelado pelo Sistema de Indicadores de Percepção Social (Sips) do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), divulgado ontem.

O levantamento ouviu 2.770 pessoas nas cinco regiões brasileiras e apontou que 39,5% dos brasileiros não possuem conta bancária. O percentual cresce bastante nas regiões Nordeste e Norte, onde 52,6% e 50% das pessoas, respectivamente, estão fora do sistema bancário.

Isso é um indicador de subdesenvolvimento. Quanto mais desenvolvido um país, mais o sistema bancário é capilarizado. Outra questão constatada é que existe um equívoco na maneira de entender a função dos bancos no Brasil. Um percentual pequeno associa aos bancos a função primeira de oferecer crédito`, analisa Milko Matijascic, chefe da Assessoria Técnica do Ipea.

Segundo a pesquisa realizada pelo instituto, apenas 4,5% das pessoas entendem como função das instituições financeiras ´emprestar dinheiro`. Para a maioria (62,1%), os bancos servem para ´movimentar e guardar dinheiro`, enquanto para 29,5% funcionam para ´oferecer produtos/serviços e pagar contas`. Esse entendimento independe da faixa de renda dos entrevistados.

´Acreditamos que o papel de um banco é conceder crédito, mas no Brasil está desvirtuado pela venda de títulos, seguros e produtos que não têm relação alguma com a concessão de empréstimos. Os bancos precisam retomar sua função de origem: emprestar dinheiro`, completa Matijascic.

Um dado relevante apurado pelo levantamento do Ipea mostra que dos 39,5% que não possuem conta bancária, 40,6% desejam ser clientes das instituições financeiras. Destes, 26,6% acreditam ter condições financeiras necessárias e atrativas aos bancos.

Matijascic lembra que o acesso ao sistema bancário é um dos indicativos de cidadania, tão importante quanto o saneamento básico, pois permite o acesso a itens de primeira necessidade. ´Há exemplos de pessoas que só vão sacar o Bolsa Família a cada três meses, por não poderem se deslocar até um banco ou agente bancário para receber o dinheiro. Também de comerciantes que se apossam dos cartões de clientes em lugares mais distantes das capitais e acabam controlando o acesso à renda dessas pessoas`, lembra o técnico do Ipea.

Ele ressalta como uma das consequências da falta de acesso ao sistema bancário, a ocupação desse vácuo por financeiras, redes de lojas e outras instituições que acabam impondo aos clientes condições desfavoráveis para a obtenção do crédito, entre as principais, os juros elevados.

Fonte: Diário de Pernambuco

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